Equador põe fim à "era Correa" definindo limites para os mandatos presidenciais

Ex-presidente Rafael Correa voltou ao país em campanha contra consulta proposta por Moreno- Dolores Ochoa  AP

Ex-presidente Rafael Correa voltou ao país em campanha contra consulta proposta por Moreno- Dolores Ochoa AP

O referendo era impulsionado pelo atual presidente Lenín Moreno, um ex-aliado político de Correa que argumenta que a reeleição ilimitada mina a democracia: "A corrupção se instala quando você tem apenas um governo que pensa que vai ficar para sempre".

Neste domingo (4) os equatorianos compareceram em peso às urnas para aprovar mudanças constitucionais que impedem Correa de voltar à presidência - e ainda enterrar parte significativa de seu legado.

O resultado do referendo marca o fim de uma era no Equador em que o político de 54 anos foi figura destacada e polarizadora. A decisão é também a mais recente de uma onda de contratempos eleitorais para os líderes populistas de esquerda da América do Sul, que nos últimos três anos sofreu revezes na Argentina, Bolívia e Venezuela.

Apesar ser vice-presidente de Correa por seis anos, Moreno não poderia ser mais diferente.

Correa ficou no poder de 2007 a 2017, trazendo uma boa dose de estabilidade política à pequena nação andina e inaugurando reformas importantes na educação e na segurança. É reputado como um político conciliador que elogia o papel de uma imprensa livre, em particular para erradicar políticos corruptos. Para Correa, Moreno é um "traidor vendido para a oposição de direita que busca instaurar um presidencialismo absoluto".

No referendo, Moreno obteve vitória em todos os temas que defendeu.

"A vitória do voto 'sim' abre caminho para que possamos trabalhar juntos, o confronto é uma coisa do passado", disse Moreno durante pronunciamento televisionado, em uma aparente referência ao famoso estilo combativo de Correa.

O referendo também incluiu propostas para reverter duas políticas emblemáticas da Correa que enfureciam o poderoso movimento indígena do Equador. A outra, redução das áreas de perfuração de petróleo no Parque Nacional Yasuní, cuja biodiversidade é surpreendente e abriga uma das últimas tribos indígenas vivendo isolada na região amazônica, foi aprovada por 67,6%.

Segundo Paulina Recalde, que dirige a empresa de pesquisas Perfiles de Opinión, em Quito, a marca de populismo de Correa, baseada na luta de classes, ficou obsoleta. "Você pode avançar contra a classe política tradicional para se eleger ou quando você acabou de chegar ao poder. Mas quando governou durante uma década, a retórica deixa de parecer verdadeira".

Correa é o mais recente populista de esquerda no continente a amargar os resultados de um referendo. Pelo contrário, estão se rebelando contra líderes que consideram autocráticos, venais e incompetentes. "Os eleitores querem servidores públicos mais responsáveis e uma melhor administração". No entanto, Belém Lopes alertou, continua a existir o risco de "contágio" dos Estados Unidos. / Tradução de Terezinha Martino.

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