PF prende delegado e ex-secretário de Cabral — Lava Jato

Ex-secretário de Cabral e delegado são presos pela Lava-Jato no Rio

Ex-secretário de Cabral e delegado são presos pela Lava-Jato no Rio

A informação foi revelada em entrevista coletiva nesta terça-feira. De acordo com Luiz Henrique Casemiro, superintendente-adjunto da 7ª Região Fiscal da Receita Federal, a percepção é de que os responsáveis pelo esquema fizeram um teste para driblar os órgãos públicos de controle financeiro. Foram quatro operações totalizando R$ 300 mil em moeda digital. Destes, sete foram cumpridos. Ambos foram presos nas suas respectivas residências na Barra da Tijuca.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Felipe Paiva. A polícia suspeita que ele esteja em Portugal.

Um delator da operação disse que o ex-governador Sérgio Cabral recebia parte da propina, mas sem um percentual fixo.

A ação, nomeada Operação Pão Nosso, investiga um esquema de superfaturamento e fraude no fornecimento de pães para presídios. O colaborador afirmou ao Ministério Público Federal que havia um acordo entre Carvalho, quando ainda secretário, e Cabral para o repasse de propina nos contratos da secretaria.

Segundo o MPF, as irregularidades ocorreram a partir de um projeto de ressocialização de detentos através de oficinas de panificação. Os procuradores afirmam que a empresa Induspan, de Felipe Paiva, que também teve a prisão pedida, fornecia lanches acima do valor de mercado e ainda recebia insumos do estado para a produção de pães.

A investigação foca em um contrato não mais vigente de fornecimento de café da manhã e lanche para os presos em Bangu.

Mesmo com a identificação das irregularidades, o ex-secretário de Administração Penitenciária César Rubens de Carvalho autorizou prorrogações de contrato com a Iniciativa Primus. Estima-se que o dano causado à Seap seja de R$ 23,4 milhões.

A Lava Jato indica que a Iniciativa Primus "foi usada em uma série de transações de lavagem de dinheiro". Um dos mandados é contra o empresário Felipe Paiva, um sócio oculto da fornecedora. O coronel Cesar Rubens liderou a Seap na gestão do ex-governador Sérgio Cabral. No momento da prisão, o delegado Marcelo Martins não atendeu ao toque da campainha dos agentes. Ele é sócio de César Rubens na Intermundos.

Além do delegado Martins e do ex-secretário Cesar Rubens, outras cinco pessoas tinham sido presas até a última atualização da reportagem: Sérgio Roberto, Gabriela Paula, Evandro Lima, Delisa de Sá e Carlos Mateus Martins.

"Palavras como doleiros, contratos com governo, laranja e lavagem de dinheiro são comuns nessa operação". É, assim, plausível que parte do dinheiro recebido do Estado do Rio de Janeiro tenha sido remetido para o exterior, utilizando a estrutura de empresas utilizadas por Carlos Paiva e Sérgio Pinto.

Marcelo Martins é policial civil e está é a primeira vez, desde o início da Operação Lava Jato, que um mandado de prisão se destina a esse profissional.

Entre as acusações contra os envolvidos estão os crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, fraude em licitação e peculato.

O MPF também destaca que o patrimônio de César Rubens de Carvalho aumentou ao menos 10 vezes enquanto esteve à frente da Seap.

Por conta das investigações, o coronel não aguentou a pressão e deixou a pasta em março de 2015, sendo substituído por outro oficial: o coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, ex-comandante da PM, que também deixou o comando da Seap no fim do ano passado após denúncias de corrupção.

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