Brasil foi o mais afetado com a sobretaxa do aço

VIA PORTO DO PECÉM as placas de aço da CSP são exportadas EVILÁZIO BEZERRA

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O ministro interino da Indústria e Comércio Exterior, Marcos Jorge, disse, durante reunião em Assunção, no Paraguai, que, se aplicada, a medida terá impacto significativo na economia brasileira.

Na sexta-feira (9), ele disse que vai recorrer aos canais abertos pelo próprio governo Trump. O argumento mais imediato em favor do Brasil é que o aço brasileiro fará falta. O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço ao mercado norte-americano, depois do Canadá.

Existe uma avaliação reservada de que, para chegar a um entendimento, o governo brasileiro teria de fazer concessões tanto nas vendas de siderúrgicos ao mercado americano, adotando restrições voluntárias de exportações, por exemplo, como em áreas completamente distintas, como a associação entre a Boeing e a Embraer, operação que, pelo Ministério da Defesa, só acontecerá mediante uma série de condições, para não prejudicar projetos estratégicos de aviação militar.

Ao mesmo tempo em que manifesta preferência pela via do diálogo e da parceria, o Brasil reafirma que recorrerá a todas as ações necessárias, nos âmbitos bilateral e multilateral, para preservar seus direitos e interesses.

Nos Estados Unidos, um carro poderá ficar até US$ 200 mais caro e os preços de cervejas e celulares podem subir, conforme divulgaram empresas desses setores à imprensa internacional.

Há, ainda, dois pontos que preocupam Trump e podem afetar as negociações.

O presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, afirma que o setor privado trabalha para mostrar aos empresários americanos que o Brasil é um "parceiro diferente".

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e ex-presidente do BNDES, José Pio Borges, criticou a medida que "mirou a China e atingiu o Brasil".

A decisão de taxar as importações de aço e de alumínio foi justificado por Donald Trump com a necessidade de evitar as importações baratas, principalmente da China, situação que descreveu como "um assalto ao país".

As maiores companhias de aço dos Estados Unidos se dividem entre a região e os estados de Ohio e West Virginia. Adversários concordam que a taxação do aço importado vai trazer riqueza e empregos para os Estados Unidos.

Outro critério para negociar a exclusão das tarifas é que os países europeus apoiem os EUA em ações antidumping e antissubsídios na OMC.

"A União Europeia, países maravilhosos que tratam os EUA muito mal no comércio, está reclamando sobre tarifas ao aço e ao alumínio", afirmou Trump. O Japão, como a União Europeia, exige isenção dos impostos. "Se eles retirarem suas barreiras horríveis e tarifas aos produtos dos EUA, nós também retiraremos as nossas".

"Não há vencedores em uma guerra comercial, e isso traria desastre para nossos dois países e para o resto do mundo", disse o ministro do Comércio, Zhong Shan, em declaração durante sessão parlamentar anual da China. "O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os EUA e, somente no ano passado, o comércio gerou US$ 2,6 bilhões". Os americanos pedem um compromisso dos governos em um esforço mundial contra a produção em excesso no setor siderúrgico.

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